The recently published book by Lauro Cavalcanti and Andre Correa do Lago entitled ‘Ainda Moderno?’ argues that the most interesting architecture in Brazil only takes place in the niche market of small scale and residential projects. Does their discourse resonate as true?
Em parte acho verdadeira, mas este fenômeno não ocorre somente no Brasil. Com certeza no mercado Europeu, Asiático e Norte-americano ocorre o mesmo. A mídia quando divulga obras de vários países que qualificamos como de primeiro mundo, mostra somente a arquitetura de alta qualidade e de grandes nomes mundiais, no entanto, o grande cenário urbano atual está aquém desta marca, basta olharmos criticamente estes espaços urbanos contemporâneos. Por este motivo, acho que a observação feita no livro “Ainda Moderno” é válida não só para o Brasil.
Edifício Garagem A e Praça do Aeroporto Internacional de Congonhas
After decades of financial crisis and economical instability, a military dictatorship and the ongoing corruption problem; Brazil seems to be going through a very optimistic phase. Business weeklies worldwide speculate as to the growth of the country. What do you think will the consequences of this be in the national architectural scenario?
Acho que um bom cenário econômico sempre “poderia” ajudar na produção da boa arquitetura. No entanto, minha preocupação se manifesta principalmente no grande crescimento da arquitetura imobiliária, e na sua maioria refletindo uma arquitetura pasteurizada. Com certeza há no Brasil muitos nomes e talentos da arquitetura nacional para desenvolverem estes projetos, inclusive melhorar o padrão hoje existente, mas infelizmente nem sempre são aproveitados. Para que isso ocorra, ou seja, termos um padrão de qualidade na produção arquitetônica, precisamos que os investidores deste mercado, assim como o Governo, como grande contratantes de projeto, tenham em mente a importância cultural da arquitetura, e não somente a visão do lucro. Precisamos ter bons projetos, que adotem tecnologias adequadas, observem as questões ambientais e culturais, para resultar em bons desenhos de edifícios. Posso dizer que o momento econômico que vivemos está sim promovendo uma grande produção na construção civil, no entanto, este crescimento não está refletindo, na maioria dos trabalhos, aquilo que poderíamos caracterizar como uma arquitetura qualificada. Eu sempre digo que tenho uma certa inveja daquilo que foi produzido no país nas décadas de 50, 60 e até 70, onde podemos ainda hoje ver em nossas metrópoles edifícios de extrema qualidade e dignidade.
Q&A formulated by Angelita Alves. Text in Portuguese by Sergio Parada.




